Adormeci a custo, gelada… acordei ainda a mais custo. Com uma dor de cabeça. Pensei “Isto hoje vai ser complicado!”
Como todas as segundas-feiras, pelas turmas que tenho e pela sequência das aulas, este é o pior dia da semana. No segundo bloco da manhã, estava a tentar identificar o miúdo mais mal educado da turma em questão. Em véspera de teste, apenas 2 ou 3 estavam com atenção na aula. Seguinte… No terceiro bloco, por sinal também revisões para a ficha de avaliação, rebentou a enxaqueca que ameaçava eclodir desde que coloquei a ponta do dedo grande do pé fora da cama. Lá tomei o belo do comprimido vermelho. A coisa acalmou, mas não ficou a 100%.
Quando finalmente tocou para a saída (sim, porque não são só alunos que de vez em quando olham para o relógio e pensam “Nunca mais!”), tempo para tratar de papelada…
A seguir, almoço em casa seguido de um merecido descanso no sofá…
“J és uma querida. Eu falei muito… com a mania que sei alguma coisa. Eu também gostei muito do nosso sol… quentinho. Vamos repetir muitas vezes. Beijinho”
E ali, à beira do Tejo, com vista para a Torre de Belém, comprovei que as conversas são como as cerejas, sobretudo quando o gosto é partilhado por quem as tem. Podem ser conversas triviais, mas quando se aprende e ensina alguma coisa, é sempre muito bom.
O café foi mesmo aqui. Recomendo, apesar da tabela de preços quase proibitiva…
Seguiu-se mais uma sessão de formação no Pavilhão do Conhecimento, sobre espaços eco marinhos.
Hoje tivemos a presença de Eduardo Salavisa, que nos relatou o estudo que fez sobre diários gráficos.
Foi um verdadeiro prazer privar com este senhor. Quando folheava o seu diário gráfico, sentia que violava o seu espaço, o seu lado mais íntimo...
Um trabalho para seguir com atenção.
Lembrei-me de no outro dia, o Tobias Caramelo me falar/ alertar para a importância de registar as minhas vivências, as minhas viagens. Na altura pensei que escrever sobre a minha vida para gerações futuras não faria sentido… não tenho filhos. Mas hoje apercebi-me que escrever sobre os sentimentos, momentos vividos, viagens marcantes, etc, cristaliza-os de alguma forma, mais que não seja para mim própria.
Nos últimos anos guardo registos em blogs e em cadernos. Escrever , muitas vezes, “desembaraça” a mente. Tenho ainda registo de episódios das viagens que faço. É verdade que quando os volto a ler, sinto emoções e por vezes, quase cheiros. Sinto-me transportada para o momento.
Cheguei a casa, perdi-me na cozinha a fabricar uma bela sopa de couve-flor, depois de um banho retemperador…
Mesmo quando parece que um dia vai ser cinzento, carregado de má energia, é necessário acreditar… que o sol pode ser muito quentinho e partilhado!

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