sábado, 23 de julho de 2011

Férias I

O caminho que vou percorrer na próxima semana... 120 Km!

"Caminhei tantos quilómetros para descobrir coisas que já sabia, que todos nós sabemos, mas que são tão difícies de aceitar.

 Existe algo mais difícil para o Homem, Senhor, que descobrir que pode atingir o Poder?
(...)
Poucos aceitaram o fardo da própria vitória: a maioria desistiu dos sonhos quando eles se tornaram possíveis. Recusaram-se a travar o Bom Combate porque não sabiam o que fazer com a própria felicidade, estavam por demais presos às coisas do mundo. Assim como eu, que queria encontrar a minha espada sem saber o que fazer com ela."

O Diário de um Mago, Paulo Coelho

MEM 2011


 Leiria
Foi tão bom recordar a cidade onde estudei... (re)descobri que tenho de mudar e praticar o modelo pedagógico mais gratificante para mim e para os meus alunos. Tenho de ter coragem e convicção... sei que terei o apoio deste grupo maravilhoso.
Agora, férias!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O que é o amor...

...Elogio ao Amor
“Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em “diálogo”. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam “praticamente” apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “tá bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso “dá lá um jeitinho sentimental”. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A “vidinha” é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.”
Miguel Esteves Cardoso in Expresso

Santiago de Compostela

Os restos mortais do apóstolo Tiago foram resgatados pelos seus discípulos e levados até ao Norte de Espanha, onde foram sepultados.

Em 813, Peleio vê uma estrela que lhe sinaliza um túmulo no cimo do monte Libradón.  É aí encontrada uma arca em mármore e os restos mortais são atribuídos a Tiago. É erguida uma pequena igreja por Afonso III, começando assim a perigrinação. A igreja passa a basílica, e mais tarde, é transformada em catedral.

Santiago, como Roma e Jerusalém, passa a fazer parte da peregrinação cristã.
Existem vários caminhos: o Francês, o do Norte, o Inglês, o da Via de Prata, o de Finisterra e o Português.

Em 1588, para evitar o roubo dos restos mortais pelos piratas, o arcebispo San Clementino, esconde-os num local indefinido. Voltaram a ser encontrados, por acaso, em 1879, durante as obras à catedral.

João Paulo II, em 1982, ao visitar São Tiago de Compostela coloca o caminho de Santiago outra vez na rota cristã.
No “Diário de um Mago”, Paulo Coelho descreve o seu caminho até Santiago, impulsionando mais pessoas a realizarem este trajecto.

Para além da Fé, a busca interior é um dos propósitos para fazer o longo percurso.
É de certeza uma experiência para a vida…

Adaptado de Caminho Português de Santiago, Carlos Carneiro e Jorge Vassallo

sábado, 16 de julho de 2011

Mapas

"A nossa visão da realidade é como um mapa com o qual transpomos o terreno da vida. Se o mapa for verdadeiro e rigoroso, sabemos em geral onde estamos e, se decidirmos para onde queremos ir, sabemos em geral como lá chegar. Se o mapa for falso e pouco preciso, em geral perdemo-nos".

O caminho menos percorrido, M.Scott Peck
 


Certamente que este não é o livro ideal para ler neste momento. Requer tempo, dedicação e empenho para o auto-conhecimento que dele advém. Numa altura em que a literatura de viagens se impõe, custa parar de o ler.

Há 9 anos tive o primeiro contacto com ele, recomendado por uma grande amiga minha. Lembro-me que as primeiras páginas foram lidas na sala da casa alugada, quando trabalhei em Aljezur.

Gostei imenso, mas por alguma razão parei... emprestei-o semanas mais tarde a uma amiga, que sabia que estava a precisar mais dele, que eu.  Tinha razão. Por ter sido tão importante para ela, acabei por lhe o dar no aniversário. Fui incapaz de ficar com um livro que "dizia" mais a outra pessoa. Podia ter comprado o mesmo livro para lhe oferecer, mas não era a mesma coisa... aquelas tinham sido as páginas que a tinham ajudado a crescer.

Por razões que agora não interessam, voltei a comprar outro exemplar... depois de muitas vezes ele ter "tropeçado" em mim.

Cá estou eu a tentar rever o meu mapa... tenho de perceber para onde quero ir. Este livro é capaz de ser  importante  para levar nas férias. Lê-lo numa  esplanada, em Riga, não me parece nada mal.