As relações são aquilo que as pessoas fazem delas, com mais ou menos intensidade. Com mais ou menos dedicação.Com mais ou menos amor.
Mas também é verdade, que há sinais nas relações que são universais.
Já não é a primeira vez que assisto a um ritual estranho. Não é de acasalamento, se bem que para muitos funciona como um reforço para a relação. Acho que é mais um grito camuflado de quem o pratica e que não o é capaz de admitir.
Quando se está numa relação há algum tempo, as coisas tendem a esfriar. Se calhar já não se dá tanta atenção ao parceiro, a rotina instala-se e, de forma muito sublime, começa a pairar a dúvida se de fato aquela pessoa é mesmo a pessoa com quem queremos estar de mão dada junto à lareira, daqui a uns 40 anos…
Geralmente, começa-se a dar atenção a outras pessoas. Repara-se na colega de sorriso simpático, na vizinha de curvas interessantes, nos momentos passados com a ex-namorada… Começa-se então um jogo de sedução que, há partida, não tem nada de mal. Sorriso para cá, piada para lá, sms com sentido dúbio, cafés encabulados… o ego começa a subir! Mas as coisas não podem avançar… alguém está comprometido! Esta é a fase mais empolgante. É quando se sente de novo o sabor da paixão!
O problema começa quando existem valores que não permitem que se passe das piadas. Aquele que está a ficar com o Ego em alta continua a enganar-se a si mesmo e pensa “Não quero nada com a Y. A X (minha namorada) é a mulher da minha vida. Eu e a Y somos só amigos”.
(As personagens desta história vão ser o A, X, Y e até o Z e o W)
Pode acontecer que a Y nem sequer saiba da existência da X. (Já assisti aos dois casos.)
Se a Y sabe da existência da X e está apaixonada, deixa-se levar pela cantiga do galã… Quem sabe, acabou de o conhecer e acha que ele pode deixar a namorada. Ali está uma pessoa interessante.
Se a Y não sabe da existência da X começa a achar que vai começar um conto de fadas… mas não percebe porque é que as coisas não rolam. Claro, que o jeitoso pode ou nunca contar que existe a X.
E aqui é a mais hilariante e triste, ao mesmo tempo… Muitas vezes, aquele que está a sufocar e que obviamente não está completamente satisfeito com a relação que tem, vira-se para a Y e diz-lhe, que apesar de estar a adorar conhecê-la, tem namorada. Reforça ainda que a Y sempre soube da X.
Ou revela a Y, a existência da X. E aí, a Y aproveita-se do tipo ou manda-o dar uma curva (ainda podemos aqui acrescentar o Z, namorado da Y…)
A X não sabe que existe a Y e vai continuar feliz da vida. Não sabe o que se passa, mas o A anda muito mais dedicado… Houve uma fase que parecia ausente, mas agora a paixão está de novo ao rubro… aquele é o Homem da sua vida. Chegou o momento certo para casar… ou até ter filhos.
Sim, o A como não queria nada pela Y (só sentir o coração a bater de novo), voltou (inconscientemente) arrependido e quer reaver o (pseudo) amor da sua vida. Ou então, só queria mesmo sentir-se de novo em “alta”.
Acho que ainda não vi o fim cor-de-rosa deste filme… O A conhece a Y, apaixona-se, põe em causa os sentimentos por Y e percebe que não é a mulher da sua vida. A Y apaixona-se por A. Começa uma história de amor…
Uma dica para os “A’s” não se enganarem a si próprios e perceberem se estão a pisar a linha… Quando começam a dizer às “Y’s” aquilo que não gostavam que as “X’s” dissessem aos "W's"…
Esta até é uma história engraçada... tenho mesmo pena de não ter o dom da escrita!

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