Esperei pacientemente pelo Expresso atrasado. O calor não me permitia ter outra reacção. Troquei as últimas impressões com a minha mãe, sobre o fds. E quando o dito transporte chegou, arrumei a única mala de mão e instalei-me confortavelmente.
Não bebi café. Precisava de recuperar alguma da energia gasta e do descanso que não tive, neste fds. Sim, iria dormir toda a viagem até chegar a Lisboa. Precisava de me concentrar na árdua tarefa de atribuir níveis (que é o que mais detesto de fazer na minha profissão).
Coloquei os phones e assim iniciei a viagem. Avaliei o fds e conclui com satisfação que tinha sido rentável. O tempo deu para tudo o que tinha planeado… estive com os amigos e com a família, e ainda conheci um bebé lindo, Santiago de seu nome.
Primeira paragem. Deixei passar a passageira ao lado que pensei que saía ali. Não, voltou com um livro. Fiquei desperta. Será que está a gostar? Também queria tanto ler aquele livro… Pergunto, não pergunto?... Estou a ser cusca? Se perguntar estou a entrar na privacidade dela?..
Perguntei. E a partir daí o sono desapareceu. Foi substituído por uma conversa empolgante sobre livros. Às impressões de n livros e escritores, seguiram-se sugestões. Não foi difícil saltar dos espaços físicos dos livros para as viagens, e de como as duas coisas se complementam. Ora, ali estavam duas maluquinhas por viagens e livros.
“Então, e de onde é?”… O riso tornou-se mais cúmplice. Afinal frequentamos sítios comuns e de certeza, que já nos cruzámos muitas vezes pela Vila Jardim. Falámos da política local, do sossego que nos transmite o cantar dos pássaros, no campo, e o prazer incondicional de viver numa cidade única como Lisboa.
Ainda bem que aquela senhora que tem idade para ser minha Mãe, se sentou naquele lugar. Não dormi, é verdade, mas fiquei tão “cheia” de vontade de viver, com força para vencer as adversidades, com ânsia de devorar livros e com pica para planear férias.
Quem me dera encontrar mais pessoas assim nos lugares-comuns que frequento todos os dias. Os dias seriam bem mais interessantes. E o melhor, é que acho que a sensação de riqueza é mútua.
Quanto ao livro… fiquei na dúvida! Ganhei mais umas dicas imperdíveis.
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