Todas as crianças com mais de cinco anos têm direito a desabafar.
Todas as crianças até aos onze ou doze anos têm direito a andar grátis no
Carrossel quando estão de férias.
Todas as crianças que andam na escola têm direito a serem alegres, terem
amigos e a brincarem com os outros. Têm o direito a terem uma Professora que
não grite com elas.
Todas as crianças têm direito a ver o mar verdadeiro, especialmente em
dia de maré vazia.
Todas as crianças têm direito a, pelo menos uma vez na vida, escolher um
chocolate que lhes apeteça.
Todas as crianças têm direito a terem orgulho na sua existência.
Todas as crianças têm direito a pensar e a sentir como lhes manda o
coração, até serem velhas, aí com uns vinte anos.
Todas as crianças têm direito a terem em casa o Pai e a Mãe, os irmãos
(se houver) e comida. Se o Pai e a Mãe não conseguirem viver juntos têm direito
a que cada um respeite o outro.
Todas as crianças têm direito a deitarem-se no chão para ver as nuvens
passar, imaginando formas de todos os bichos do Mundo combinadas com as coisas
que quiserem (por exemplo, um cão a andar de patins ou uma girafa de orelhas
compridas).
Todas as crianças têm direito a começarem uma colecção não interessa de
quê.
Todas as crianças têm direito a chupar no dedo
indicador que espetaram num bolo acabado de fazer ou então lamber a colher com
que raparam a taça em que ele foi feito.
Todas as crianças têm direito a manterem-se acordadas até tarde numa
noite de Verão, na esperança de verem uma estrela cadente e pedirem três
desejos (a justiça devia fazer acontecer sempre pelo menos um).
Todas as crianças têm direito a comer a fatia do meio das torradas de pão
partidas em três.
Todas as crianças têm direito a escrever ou a falar uma linguagem inventada
por elas (ou que julgam inventada por elas), como por exemplo a «linguagem dos
pês»: «apa linpinguapalinpinguapagempem dospos pêspês».
Todas as crianças têm direito a imaginar o que vão querer fazer quando
foram grandes (habitualmente coisas extravagantes) e a perguntar aos adultos «o
que queres fazer quando fores pequenino?»
Todas as crianças têm direito a dormir numa cama só sua, sentindo o
cheiro de roupa lavada, e a terem um espaço próprio na casa, pelo menos a
partir de um ano de idade.
Todas as crianças têm direito a passear na rua tentando pisar apenas o
empedrado branco (ou só o preto); em opção, têm direito a fazer uma viagem
contando quantos carros vermelhos passam na faixa contrária.
Todas as crianças meninos têm o direito a, pelo menos uma vez na vida,
perguntar a uma menina «queres ser minha namorada?» e todas as crianças meninas
têm direito a pelo menos uma vez na vida, responder «sim, quero».
Todas as crianças têm o direito a ouvir um adulto contar pelo menos uma
destas histórias: Peter Pan, O Principezinho ou O Príncipe Feliz.
Todas as crianças têm direito a ter alegria suficiente para imaginar
coisas boas antes de dormirem e depois, a sonharem com elas.
Todas as crianças têm direito a ter um boneco de peluche preferido,
especialmente quando velho, já lavado e mesmo com um olho a menos.
Todas as crianças (especialmente se já adolescentes) têm direito a usar
os ténis preferidos, mesmo que rotos e com cheiro tóxico.
Todas as crianças têm direito a poder tomar banho sozinhas e a
experimentar mergulhar na banheira contando o tempo que aguentam sem respirar.
Todas as crianças têm direito a jogar aos polícias e ladrões, preferindo
inevitavelmente serem ladrões.
Todas as crianças têm direito a ter um colo onde se possam sentar,
enroscar como numa concha e receber mimos.
Todas as crianças têm direito a nascer iguais em direitos.
Todas as crianças têm direito a conhecer o sítio onde nasceram e a
visitá-lo livremente.
Todas as crianças têm direito a não ficar sozinhas a chorar.
Todas as crianças têm direito a viver num País que tenha um Ministério da
Infância e Juventude, que olhe verdadeiramente pelo seu crescimento afectivo e
bem-estar interior (sem preconceitos adultocêntricos ou hipocrisias com ares de
cromo abrilhantado).
Todas as crianças têm direito a acreditar que têm um adulto que olha por
elas e as ama sem condição prévia (nem que seja o Nosso Senhor).
Todas as crianças têm direito a viver felizes e a ter paz nos seus
pensamentos e sentimentos.
Pedro Strecht

Olá!
ResponderEliminarEsta é a página do Facebook do meu novo livro de poesia "Em Teus Olhos Seria Vida".
Gostava de poder contar com o teu "gosto" na minha página.
Obrigado!
www.facebook.com/EmTeusOlhosSeriaVida
ou em:
poesiafaclube.com/store/josé-manuel-pereira-"em-teus-olhos-seria-vida"
=)