terça-feira, 6 de setembro de 2011

"O Caminho"

Os 120 km percorridos até Santiago foram das melhores experiências que já tive até hoje. É verdade que ainda não viajei muito, mas já tenho alguns km percorridos e uns carimbos no passaporte. A magia é única…

No início não percebia a razão pela qual, os que não estavam a fazer o caminho pela 1.ª vez, tratavam o caminho como uma Entidade… “O Caminho”. No final percebi.

Não consigo descrever o que foi nascendo dentro de mim à medida que caminhava cada km, cada hora, cada dia, cada troço. O percurso é lindo, os albergues são limpos, as pessoas com que nos cruzamos são únicas, os momentos de reflexão são sólidos… Percebemos de uma forma mais nítida que nada, mas mesmo nada, acontece por acaso. Ao final do dia sentimos que somos mais fortes, que conseguimos vencer mais uma etapa. Temos mais força para vencer os obstáculos da vida.

Conheci tantas pessoas. Que bom conhecer pessoas tão diferentes. O ateu, o cozinheiro, o desempregado, a funcionária do Ikea, o Espanhol com vocação para padre, a Italiana que gastou o dinheiro da faculdade a fazer voluntariado na índia, a família Espanhola, o Francês com o filho de 10 anos, os suecos que ficaram com os pés cheios de bolhas, os escuteiros de Coimbra que mostraram sempre sentido de solidariedade. Adorei, adorei, adorei!!!... Sei que todas estas pessoas saíram com a sua “fé” (o que quer que isso seja) mais forte.

Não esquecerei a companhia da Paula, as músicas da Elisa, a boa disposição da Sílvia, das conversas do Joaquim, das festas à noite, do deitar no beliche depois de cada caminhada, da felicidade entre Caldas de Reis e Padron, da felicidade nos olhos da minha mãe…

Procurava respostas, reflexão, esclarecimento, auto-sabedoria… queria atingir um “ponto”. Não consegui. “O Caminho” deu-me a clarividência de me posicionar no presente, arrumando o passado, para poder trabalhar para o futuro. O futuro será aquilo que quererei. Está tudo resolvido.

Acho que posso mesmo dizer, que nunca houve nenhuma experiência que me tenha enchido tanto como esta a nível espiritual. E começa já ali no Norte, de borla… É verdade que o meu joelho não gostou muito mas, pretendo fazer outro caminho de Santiago assim que me seja permitido.

Recomendo mesmo!

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